Será que Russell Crowe vai ser o novo dono do Leeds?

O Leeds United foi assunto até na mídia esportiva do Brasil ontem, quando o astro de hollywood Russell Crowe gerou expectativas sobre comprar o clube do qual é torcedor. O ator, que é neozelandês, respondeu a um torcedor do Leeds no Twitter que o pediu para comprar o time: “alguém mais acha que é uma boa ideia?” A pergunta mais fácil seria o contrário, já que praticamente todos os torcedores Whites ficaram ansiosos só de pensar na possibilidade. Nós também estamos lutando contra a empolgação, mas entendemos que esse caso pode não ter final feliz para o Gladiador.

À noite, depois de muita especulação, o jornalista da BBC Ian Dennis trouxe uma citação do atual presidente do Leeds United, Andrew Umbers, de que o “clube não está a venda“. Ele também disse que não foi feita nenhuma inquisição sobre a compra do Leeds, ao contrário do que foi noticiado pela imprensa, e que as discussões legais que estão ocorrendo entre Massimo Cellino e a Football League estão sendo mal interpretadas.

O que não foi mal interpretado e ficou até bem claro foi que Cellino não voltará a ser o chefão em Elland Road. Impedido de comandar o Leeds United até abril pela Football League por sonegação de imposto na Itália, o italiano informou no site oficial que desde janeiro havia tomado a decisão de não retornar ao comando do Leeds após o fim do banimento. Ele diz também que vendeu suas ações minoritárias do Leeds, porém, os parentes de Cellino continuam donos do clube, uma vez que a empresa da famiglia, a Eleonora Sports Limited, ainda detém 75% das ações – a GFH é dona da porcentagem restante. Isso não impediu surgirem os rumores da compra por Russell Crowe.

Crowe brinca com o filho com o uniforme do time de rugby e bola do Leeds

Crowe brinca com o filho com o uniforme do time de rugby e bola do Leeds

Durante o assédio que sofreu dos torcedores do Leeds, o ator, que tem uma fortuna estimada em 75 milhões de dólares, disse que estava ao dispor para participar se alguém o procurasse. Foi a deixa para o consórcio Leeds Fans LLP se aproximar. Crowe trocou tuítes e conversou em privado com a sociedade limitada formada por torcedores, vendendo seu peixe na gestão esportiva. Ele citou o time de rugby South Sydney Rabbitohs, do qual tem participação acionária. Por sua vez, a Leeds Fans LLP disse que “adoraria que trabalhassem em conjunto numa administração de torcedores”.

A participação de Crowe é considerada pela LLP essencial para o projeto de colocar a torcida no controle do clube, mas até agora o caso não passa de uma possibilidade.

Relembre a crise administrativa do Leeds United:

Com a euforia das campanhas nas copas internacionais na virada do século, o dirigente Peter Risdale contraiu empréstimos milionários para o Leeds United, com a previsão de quitá-los com as cotas de TV, cada vez mais crescentes. Porém, sem a classificação para a Copa dos Campeões em duas temporadas seguidas, o balanço não foi equilibrado e o Leeds passou a dever cada vez mais dinheiro.

Depois de cair para a segunda divisão em 2003/04, Ken Bates adquiriu 50% das ações do Leeds por aproximadamente dez milhões de libras em 21 de janeiro de 2005 e evitou que o clube entrasse em administration – o que significa, praticamente, falir. A essa altura o clube já havia vendido o centro de treinamento Thorp Arch e o estádio Elland Road (os locais seguem sendo utilizados pelo Leeds com o pagamento de aluguel).

Ken Bates evitou que o Leeds falisse, mas foi pão duro em muitos momentos

Ken Bates evitou que o Leeds falisse, mas foi pão duro em muitos momentos

Em 2007, a administration foi inevitável. O clube tinha dívidas de cerca de £35mi e nenhum dinheiro em caixa. Então o Leeds United AFC foi integralmente comprado por uma empresa de Ken Bates e se tornou o Leeds United Football Club Association Limited. Seguindo o regulamento da Football League, o time perdeu 10 pontos como penalidade e foi rebaixado para a League One em último lugar. Na temporada seguinte, 2007/08, o Leeds ainda estava sendo punido e começou a temporada com -15 pontos na tabela. Caso não tivesse sofrido a punição, teria sido retornado diretamente a Championship como vice-campeão.

Já de volta a segunda divisão, em 2011 o Leeds passou a ser 100% controlado por Ken Bates, alegadamente como uma medida de transparência para se adequar às normas aplicadas a Premier League – até porque era extremamente complexa a estrutura administrativa do “LUFC Ltd”. Porém, nessa época o clima já era esquisito nos bastidores do clube.

Depois de muito tempo de especulação, no fim de 2012 o banco de investimentos baseado no Bahrein GFH Capital adquiriu o clube por cerca de £44 milhões, com um investimento de oito milhões de libras extras. A negociação foi conduzida pelo vice-diretor executivo da empresa asiática e torcedor do Leeds United David Haigh, que se tornou diretor do time.

Dois executivos mais ativos da GFH no Leeds: David Haigh e Salem Patel

Os dois executivos mais ativos da GFH no Leeds: David Haigh e Salem Patel

A partir desse ponto as informações passam a ser bastante controversas, mas entendemos que David Haigh se associou com outras partes para tentar comprar da GFH uma fatia de 75% do Leeds United através do consórcio Sports Capital, que incluia o principal patrocinador da equipe. O negócio esteve muito próximo do acerto, mas em janeiro de 2014 a GFH Capital, que segundo a Sports Capital já havia se comprometido com o acordo, convidou outras partes para concorrerem com propostas. Uma das partes foi uma versão embrionária da Leeds Fans LLP e outra, Massimo Cellino.

O resultado deste leilão foi a venda de 75% das ações para a empresa Eleonora Sports Limited, que pertence a família Cellino, apesar de todas as suspeitas de crimes fiscais do italiano; mas também, supostamente, a prisão de Haigh em Dubai, sem acusação formal. A pretexto de uma viagem de negócios, membros da GFH o levaram para Dubai, onde ele foi rendido pelas forças policiais assim que chegou ao país. A empresa o acusou, posteriormente, de desviar três milhões de libras. Ele continua preso desde maio de 2014 até hoje.

Em menos de um ano como dono do Leeds, Cellino recebeu combate da Football League duas vezes. A primeira antes mesmo do italiano assumir como presidente, em março do mesmo ano, quando a entidade negou a aprovação dele no teste de diretores e donos e ele só conseguiu completar o negócio, no mês seguinte, com uma apelação. Já em dezembro, Cellino foi desqualificado pela FL com acusações de sonegação de impostos na Itália, onde ele detinha o Cagliari Calcio, da Serie A. Ele foi, portanto, impedido de ter participação efetiva no Leeds até o dia 10 de abril, mas com o comunicado de hoje, parece que chega ao fim o “capítulo Massimo” da história dos Whites.

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